Por que ninguém te dá um número
Pergunte a dez pessoas quanto investir em anúncio e você recebe dez respostas com a mesma estrutura: depende. Depende do segmento, do ticket, da região, da concorrência. Está certo, e não ajuda em nada, porque a pessoa que perguntou precisa pôr um valor num campo hoje.
Acontece que as duas plataformas que levam a maior parte da verba de anúncio no Brasil publicam, nas páginas de ajuda delas, duas contas objetivas. Uma diz qual é o seu orçamento diário mínimo. A outra diz quanto a plataforma pode gastar a mais do que você pediu num dia. Juntas, as duas resolvem a pergunta sem opinião de ninguém. Este artigo é essas duas contas, com os números das páginas oficiais, e o que cada uma implica no seu caso.
Antes de qualquer conta: verba de anúncio não é o preço da agência. São dois pagamentos diferentes, para dois destinatários diferentes. A verba vai para a plataforma, no cartão da conta do anunciante. Se a proposta que chegou até você junta as duas coisas num valor só, pergunte quanto é cada parte antes de assinar.
A regra dos cinco, a única conta publicada
A página de boas práticas para orçamentos mínimos da Meta traz uma frase que resolve metade do problema. Com estas palavras: se você utiliza a estratégia de lance com a meta de custo por resultado, seu orçamento diário deve ser equivalente a, no mínimo, cinco vezes o valor da sua meta de custo por resultado. O exemplo que a própria página dá: meta de custo por resultado de cinco dólares, orçamento diário de no mínimo vinte e cinco.
Repare no que isso faz com a pergunta. Você não precisa saber quanto investir. Você precisa saber quanto vale um resultado para você, e o resto é multiplicação. Resultado aqui é o que você escolheu otimizar: um pedido, uma conversa iniciada no WhatsApp, um formulário preenchido, uma reserva, uma visita à loja. Se um pedido novo vale R$ 20 de margem para você, a sua meta de custo por resultado não passa de R$ 20, e o seu orçamento diário mínimo é R$ 100.
Dois avisos que estão na mesma página e que mudam a leitura. O primeiro: os valores do artigo da Meta estão em dólar americano, e a própria página diz que os orçamentos mínimos podem variar de acordo com o país e o objetivo. A regra é a proporção, cinco vezes, não o valor em dólar. O segundo: a Meta lista o que entra no cálculo do mínimo, e é mais do que moeda. Entram a vertical do negócio, o tipo de orçamento, o tipo de compra, a estratégia de lance, a otimização e a programação. É por isso que não existe um número universal.
Tem um detalhe de interface que vale saber, porque poupa discussão. A Meta avisa que o Gerenciador de Anúncios mostra um alerta quando o orçamento não atende aos requisitos mínimos, e mostra uma recomendação quando o orçamento atende ao mínimo mas pode não ser suficiente para alcançar os resultados ideais. São duas mensagens diferentes. A primeira é bloqueio, a segunda é aviso. Quem só olha se a campanha subiu não lê a segunda, e é nela que a verba costuma estar sendo desperdiçada.
A sua tabela, em quatro linhas
A conta da regra dos cinco cabe numa tabela. A coluna do mês é multiplicação simples por 30, não é um número de plataforma: serve para você comparar com o seu caixa.
| Quanto vale um resultado para você | Orçamento diário mínimo | No mês, por 30 |
|---|---|---|
| R$ 10 | R$ 50 | R$ 1.500 |
| R$ 20 | R$ 100 | R$ 3.000 |
| R$ 30 | R$ 150 | R$ 4.500 |
| R$ 50 | R$ 250 | R$ 7.500 |
Agora leia a tabela de trás para frente, que é o uso mais honesto dela. Se o seu caixa aguenta R$ 1.500 por mês em anúncio, você está comprando resultado de até R$ 10. Se no seu segmento um pedido custa R$ 35 para ser gerado, R$ 1.500 não compra operação, compra teste. A tabela não diz que você não pode anunciar com menos. Ela diz o que esperar.
E repare numa coincidência que não é coincidência: a primeira linha cai exatamente em R$ 1.500 por mês. Esse é o piso que a LL Comunica declara nos próprios formulários, e ele não saiu de preferência. Saiu de onde a conta para de fazer sentido.
Os 50 resultados por semana
A regra dos cinco diz o mínimo para a campanha rodar. Existe um segundo número, de outra página da Meta, que diz o mínimo para ela aprender, e é o número que mais derruba expectativa.
A ajuda da Meta sobre a fase de aprendizado afirma que os conjuntos de anúncios saem dessa fase assim que o desempenho se estabiliza, e que isso normalmente ocorre após cerca de 50 resultados na semana depois da última edição significativa do conjunto. Abaixo disso, o conjunto fica com o status de aprendizado limitado, e a mesma página diz que durante a fase de aprendizado os conjuntos são menos estáveis e geralmente apresentam um custo por resultado mais alto.
Multiplique: 50 resultados na semana, a R$ 30 cada, são R$ 1.500 por semana naquele conjunto. A conta inteira, com a tabela por faixa de custo, está em Google Ads ou Meta Ads: qual vem primeiro no seu caso, e ela explica por que tanta campanha pequena vive travada: 50 resultados no mês, em vez de na semana, mantém o conjunto em aprendizado limitado para sempre.
O que fazer quando a verba não chega nos 50 por semana. A própria Meta dá a saída, na página de orçamentos mínimos: se você não quiser aumentar o orçamento, tente fazer a otimização para um evento mais fácil e barato de se realizar. Em vez de otimizar para compra, otimize para conversa iniciada ou para visualização da página de destino. O resultado fica mais raso, mas acontece em volume suficiente para o sistema aprender.
O Google pode gastar o dobro num dia
Quem define orçamento diário no Google Ads e abre o painel no dia seguinte às vezes leva um susto. A ajuda oficial explica por quê, e é melhor saber antes: em um dia, sua campanha pode gastar até duas vezes o orçamento diário médio para aproveitar as variações do tráfego. E completa: no fim do mês, você terá gasto menos do que 30,4 vezes seu orçamento diário médio.
Então o estouro é diário e tem compensação dentro do mês. O orçamento diário no Google é uma média, não um teto rígido por dia. O teto rígido é mensal, e são aquelas 30,4 vezes.
A mesma página trata do caso em que o valor gasto passa dos limites mensais ou diários, e a frase é direta: quando isso acontece, você nunca paga mais do que o limite. A diferença entre o que foi entregue e o que foi cobrado tem até onde conferir. No Google Ads, em Insights e relatórios, no Editor de relatórios, existe na galeria de modelos a seção de Faturamento com o relatório de custo faturado. Subtraia o custo faturado do valor gasto e você vê o quanto não foi cobrado. Dá para baixar em planilha.
Um aviso sobre a fonte, que a fonte dá de si mesma. A página do Google em português traz o alerta de que pode ter conteúdo traduzido com tecnologia de inteligência artificial, e que traduções automáticas podem conter erros. Os números batem com a versão em inglês, mas em decisão grande vale abrir a página original.
Os dois limites de gasto que ninguém liga
A página da Meta sobre quanto custa anunciar nas tecnologias dela nomeia dois controles diferentes, e a maioria das contas que auditamos não usa nenhum dos dois.
- Limite de gastos da campanha. Define um valor máximo para uma campanha publicitária específica. Serve para proteger um teste: você deixa a campanha rodar sem olhar todo dia sabendo que ela para sozinha num valor.
- Limite de gastos da conta. Define um valor máximo para todas as suas campanhas. É o cinturão de segurança do caixa. Se alguém da equipe duplicar um conjunto por engano, o limite da conta segura.
A mesma página lembra que alguns tipos de anúncios avançados têm exigência de gasto mínimo, informada durante a criação do anúncio, e que você controla o gasto total pelo orçamento e o custo por resultado pela estratégia de lance. São duas alavancas distintas: uma mexe no total, a outra mexe na eficiência.
E tem uma regra de redução de orçamento que já custou entrega a muita gente. A Meta diz: se você reduzir o orçamento total, mantenha o novo valor igual ou maior do que o investido até agora mais 10% do valor investido nos últimos dois dias. O exemplo da página: gastou US$ 300, sendo US$ 100 nos últimos dois dias, o novo orçamento tem de ser de no mínimo US$ 310. E o aviso de horário: tenha cautela ao reduzir o orçamento perto do fim do dia, porque o sistema pode não ter tempo de aplicar as novas configurações.
O orçamento é por conjunto, não por campanha
Esse é o erro de conta mais comum, e o mais caro. A página da Meta sobre orçamento diário é explícita: cada conjunto de anúncios tem um orçamento separado, e pede para você lembrar disso se tiver mais de um conjunto ativo na conta.
Na prática: você decidiu investir R$ 100 por dia. Criou quatro conjuntos, porque quer testar quatro públicos, e pôs R$ 100 em cada um. O seu gasto não é R$ 100 por dia, é R$ 400. No mês, R$ 12.000 em vez de R$ 3.000. Já vimos essa conta estourar em conta de cliente novo mais de uma vez, sempre com a mesma frase: eu coloquei cem reais.
Diário ou total: quando cada um serve
A Meta descreve duas durações de orçamento, totais e diários, e diz onde cada uma encaixa. Sobre o total: pode ser útil se você não quiser exceder determinado valor do gasto geral, e funciona melhor se houver flexibilidade sobre quanto gastar por dia.
O porquê dessa flexibilidade está na frase seguinte da mesma página. Com veiculação padrão, que a Meta recomenda para a maioria dos anunciantes, a plataforma se esforça para gastar o orçamento de maneira homogênea durante o período, mas para obter os melhores resultados poderá gastar mais nos dias em que houver oportunidades melhores e menos em dias com menos oportunidades.
- Campanha com data de fim. Promoção de fim de semana, evento, data comemorativa, lançamento. Use orçamento total: você trava o teto do período e deixa a plataforma escolher os dias.
- Operação contínua. Geração de pedido todo mês, captação permanente. Use orçamento diário: é mais fácil de ler no relatório e de comparar mês contra mês.
- Caixa curto. Use orçamento total com limite de gastos da conta ligado. Dois freios, não um.
O piso que a LL Comunica declara
Nos formulários do site, a LL Comunica pergunta se o negócio está disposto a investir a partir de R$ 1.500 por mês em anúncio. Não é tabela de preço, não é mínimo de plataforma, e é bom ser claro sobre o que é: é o piso que a casa declara para aceitar operar mídia paga, e ele vem da primeira linha da tabela deste artigo.
Abaixo de R$ 50 por dia, a regra dos cinco só sustenta resultado de até R$ 10. Existem casos em que isso dá certo, geralmente conteúdo barato de otimizar e público grande. Na maioria dos negócios de ticket médio, não dá, e o que acontece é o cliente pagar operação para ver conjunto em aprendizado limitado. Preferimos dizer isso antes de assinar, e é por isso que a pergunta está no formulário e não na reunião.
Esse valor é separado do que a agência cobra. O que entra e o que não entra no valor da agência está em quanto custa uma agência de marketing, e o que a agência faz com a verba, item por item, está em o que faz uma agência de marketing.
Cinco erros que queimam verba em silêncio
- Somar orçamento por campanha e não por conjunto. O jeito mais rápido de gastar quatro vezes o planejado. A Meta avisa por escrito, e o aviso passa batido.
- Mexer no conjunto a cada dois dias. Os 50 resultados contam a partir da última edição significativa. Quem edita toda semana reinicia o aprendizado toda semana e paga o custo mais alto da fase de aprendizado para sempre.
- Otimizar para o evento mais difícil com a verba mais magra. Otimizar para compra com R$ 20 por dia é pedir ao sistema um volume que a verba não paga. A própria Meta sugere trocar por um evento mais fácil e barato.
- Reduzir orçamento no fim do dia. O sistema pode já ter gasto o valor novo. A redução vale a partir do próximo ciclo, não agora.
- Não ligar o limite de gastos da conta. Custa um minuto e é o único controle que segura erro humano em toda a conta ao mesmo tempo.
Nenhum desses cinco aparece como erro no relatório. Aparece como resultado ruim, que é diferente, porque resultado ruim costuma ser atribuído ao criativo ou ao público. Antes de trocar o criativo, confira a conta.
Perguntas frequentes
Quanto investir em anúncio por mês para começar?
Não existe um valor único, mas existe um piso que você mesmo calcula. Decida quanto vale para você um resultado, um pedido, um orçamento pedido, uma reserva, e multiplique por cinco: é o orçamento diário mínimo que a Meta recomenda por escrito para quem usa meta de custo por resultado. Multiplique esse diário por 30 e você tem o mês. Se o seu resultado vale R$ 20, o diário mínimo é R$ 100 e o mês fica perto de R$ 3.000. Começar abaixo disso é possível, mas aceite que vai demorar mais para a entrega estabilizar.
R$ 500 por mês em anúncio funciona?
Funciona para aparecer, não para otimizar. R$ 500 no mês dá cerca de R$ 16 por dia, o que pela regra dos cinco sustenta uma meta de custo por resultado de pouco mais de R$ 3. Em quase nenhum segmento o resultado custa isso. O que acontece na prática é o conjunto ficar preso em aprendizado limitado, entregando pouco e caro. Se o caixa só permite R$ 500, vale mais escolher um objetivo barato, uma campanha só, um público só, e tratar a verba como teste, não como operação.
Orçamento diário ou orçamento total: qual escolher?
O diário é o valor médio que você aceita gastar por dia naquele conjunto, e serve para operação que não tem data de fim. O total é um teto para o período inteiro, e a própria Meta diz que ele funciona melhor quando existe flexibilidade sobre quanto gastar por dia, porque a plataforma gasta mais nos dias de oportunidade melhor e menos nos dias piores. Para campanha com data marcada, promoção, evento, data comemorativa, o total protege o caixa. Para operação contínua, o diário é mais simples de ler.
A verba de anúncio está incluída no valor da agência?
Na LL Comunica, não, e vale conferir isso em qualquer proposta que você receber. O valor da agência paga estratégia, criativo, configuração, acompanhamento e relatório. A verba de anúncio é paga pelo anunciante direto na plataforma, no cartão ou no boleto da própria conta dele. Isso existe por dois motivos: o dinheiro da mídia fica rastreável no extrato de quem paga, e o cliente mantém o controle do limite de gasto da conta. Proposta que junta as duas coisas num valor só esconde quanto foi para mídia e quanto foi para serviço.
O Google pode gastar mais do que o meu orçamento diário?
Num dia, sim. A ajuda oficial do Google Ads diz que a campanha pode gastar até duas vezes o orçamento diário médio para aproveitar variações de tráfego, e que no fim do mês você terá gasto menos do que 30,4 vezes esse orçamento. Ou seja, o estouro é diário e se compensa dentro do mês. A mesma página afirma que, quando o valor gasto passa dos limites, você nunca paga mais do que o limite, e que a diferença aparece no relatório de custo faturado.
Fontes consultadas
- Meta, Central de Ajuda para Empresas, Boas práticas para orçamentos mínimos, com a regra das cinco vezes a meta de custo por resultado e a regra de redução de orçamento
- Meta, Central de Ajuda para Empresas, Quanto custa para anunciar nas tecnologias da Meta, com o limite de gastos da campanha e o limite de gastos da conta
- Meta, Central de Ajuda para Empresas, Orçamento diário, com o aviso de que cada conjunto de anúncios tem orçamento separado
- Meta, Central de Ajuda para Empresas, Sobre os orçamentos totais, com a veiculação padrão e o gasto desigual entre os dias
- Meta, Central de Ajuda para Empresas, Sobre a fase de aprendizado, com os cerca de 50 resultados por semana e o aprendizado limitado
- Google Ads, Ajuda oficial, Sobre o superfornecimento e o orçamento diário médio, com o dobro num dia, as 30,4 vezes no mês e o relatório de custo faturado
Consultadas em 23 de outubro de 2026, nas páginas oficiais das duas plataformas. Os valores da Meta estão publicados em dólar americano, e a própria página avisa que os mínimos variam por país e por objetivo: a regra que viaja é a proporção, não o valor. A página do Google em português traz o aviso de que pode conter tradução automática. Os custos por resultado usados nas tabelas são exemplos para a conta rodar, declarados como exemplos: o seu sai da sua própria campanha. Regra de orçamento e interface mudam sem aviso, então confira a página oficial antes de decidir com base em qualquer artigo, inclusive este.