O que é métrica, e onde a palavra virou confusão
Métrica é a medida de algo que já aconteceu. Quantas pessoas abriram a página, quantas pediram, quanto cada pedido custou para acontecer. Até aqui ninguém discute. A confusão começa quando três coisas diferentes são chamadas pelo mesmo nome.
- Métrica é qualquer medida coletável. Existem centenas, e a plataforma coleta quase todas sem pedir licença.
- Indicador, ou KPI, é a métrica que foi eleita para guiar uma decisão. Tem meta, tem dono e tem prazo. São poucas, e precisam ser poucas.
- Meta é o número que se quer alcançar naquele indicador, com data. Sem data não é meta, é desejo.
Um relatório comum de agência traz quarenta métricas, nenhum indicador e nenhuma meta. Ele descreve o mês com precisão e não ajuda a decidir nada, porque não existe decisão pendurada em nenhum daqueles números. O dono lê, acha bonito, agradece e não faz nada diferente no mês seguinte. Esse relatório custou dinheiro para ser feito e não mudou uma linha da operação.
O caminho inverso é o que funciona: começar pela decisão que está pendurada. Se a decisão do mês é "aumento ou não o anúncio", os números que importam são o custo por resultado, o ticket médio e a margem. Se a decisão é "troco o criativo", importam a taxa de clique e a frequência. Se a decisão é "subo o preço", importam a recompra e a taxa de recusa. A decisão escolhe a métrica, nunca o contrário.
O teste de uma linha: aponte para um número do seu relatório e pergunte o que você faria de diferente se ele dobrasse, e o que faria se ele caísse pela metade. Se a resposta for a mesma nos dois casos, aquele número não é indicador. Ele pode continuar sendo coletado, mas não ocupa a primeira página.
As três perguntas que toda métrica responde
Antes de aceitar qualquer número em relatório, três perguntas. Elas eliminam a maior parte do que enche apresentação.
- Que decisão este número muda? Já está dito acima, e é a mais importante das três. Número sem decisão atrelada sai da primeira página.
- Eu sei o numerador e o denominador? Taxa de conversão de quê sobre quê. Engajamento dividido por alcance ou por seguidores, e os dois dão resultados muito diferentes. Quem não sabe a conta não pode comparar dois meses, porque não sabe se a conta mudou no meio.
- Quem é o dono e qual é o prazo? Indicador sem dono não se mexe. Indicador sem prazo nunca está atrasado, e por isso nunca é cobrado.
Alcance é o exemplo perfeito das três. Ele muda uma decisão real, mas não a que se imagina: serve para saber se o criativo saturou dentro do público, comparando alcance com impressão. Não serve para dizer se o mês foi bom. O numerador e o denominador dele dependem da plataforma, do período e da desduplicação. E quase nunca tem dono. Por isso ele aparece em todo relatório e muda muito pouca coisa.
As métricas de vaidade, uma por uma
Métrica de vaidade não é métrica falsa. É métrica verdadeira apresentada no lugar errado. O quadro abaixo diz o que cada uma mede de verdade e em que situação ela presta serviço, porque jogar todas no lixo é tão ruim quanto colocar todas na capa.
| Métrica | O que ela mede de verdade | Quando ela presta |
|---|---|---|
| Seguidores | Quantas contas resolveram acompanhar o perfil, em algum momento, inclusive quem nunca mais voltou. | Para medir tamanho de audiência própria ao longo de trimestres, nunca de semanas. |
| Curtidas | O gesto mais baixo de aprovação que existe numa rede, e o mais fácil de comprar. | Para comparar dois criativos do mesmo formato, publicados no mesmo horário, no mesmo perfil. |
| Alcance | Quantas pessoas diferentes foram atingidas, segundo a estimativa da plataforma. | Para calcular frequência e descobrir que o criativo saturou antes do orçamento acabar. |
| Impressões | Quantas vezes a peça apareceu na tela, somando repetição na mesma pessoa. | Junto com o alcance, e só junto. Sozinha, infla com repetição e parece crescimento. |
| Visualizações de vídeo | Quantas vezes o vídeo começou a tocar, com o critério de segundos que a plataforma escolheu. | Para comparar ganchos entre si, olhando a retenção e não o total. |
| Visitas no site | Quanta gente chegou, sem dizer uma palavra sobre o que fez depois de chegar. | Para achar gargalo, quando lida junto com a taxa de conversão da mesma página. |
| Taxa de engajamento | Uma divisão cujo denominador muda de ferramenta para ferramenta, o que a torna incomparável entre fontes. | Dentro de uma única ferramenta, sempre com a mesma conta, para comparar formatos. |
Repare no padrão: todas elas prestam serviço dentro de uma comparação controlada, e nenhuma presta serviço como resposta à pergunta do dono, que é sempre a mesma. A pergunta é se valeu. E valeu é uma conta com dinheiro nos dois lados.
O sinal de alerta mais honesto que existe: se o relatório do mês passado tem percentual de crescimento em seis métricas e nenhuma menção a reais, o relatório está escondendo algo, mesmo sem querer. Quando o resultado é bom, reais aparecem na primeira página, porque é a parte boa de contar.
As que pagam a conta
São seis, e elas se encaixam umas nas outras. Quem tem essas seis sabe se continua, se aumenta ou se para, e não precisa de mais nada para decidir o mês.
- Receita atribuída. Quanto dinheiro entrou por um caminho que a comunicação abriu. Atribuída, não total: separar o que veio da comunicação do que veio sozinho é o trabalho inteiro, e é a parte que mais gente pula.
- Taxa de conversão. Quantos, de cada cem que chegaram, fizeram o que se queria. Vale por etapa, não só no fim: de quem viu para quem clicou, de quem clicou para quem conversou, de quem conversou para quem comprou. É aqui que o gargalo aparece.
- Ticket médio. Quanto cada pedido vale, em média. Métrica barata de medir e a de efeito mais rápido: subir ticket costuma ser mais fácil do que trazer gente nova.
- Custo de aquisição de cliente. Quanto custou conquistar cada cliente novo.
- Valor do cliente ao longo da relação. Quanto cada cliente deixa antes de ir embora.
- Retorno sobre o investimento. A conta que junta tudo e diz se sobrou.
As três primeiras se medem olhando o mês. As três últimas exigem conta, e é por isso que elas faltam na maioria dos relatórios. As próximas três seções fazem essas contas, com número no papel.
ROI: a fórmula e as duas armadilhas dela
A ajuda do Google Ads diz, com essas palavras, que o ROI é a relação entre lucro líquido e custos, e apresenta a fórmula como receita menos o custo dos produtos vendidos, dividido pelo custo dos produtos vendidos. O exemplo que a própria página traz vale ser seguido passo a passo, porque ele ensina mais do que a fórmula.
Um produto custa cem reais para ser produzido e é vendido por duzentos. O anúncio vendeu seis unidades no mês e o investimento em anúncio foi de duzentos reais. Então o custo dos produtos vendidos foi de seiscentos reais, a receita foi de mil e duzentos, e o custo total, somando o anúncio, foi de oitocentos. A conta que a página faz é mil e duzentos menos oitocentos, dividido por oitocentos, o que dá cinquenta por cento. A leitura em linguagem de dono: para cada real gasto, voltou um real e cinquenta.
Agora as duas armadilhas, e as duas estão dentro da documentação oficial, não na interpretação de quem lê.
- O denominador muda entre a fórmula e o exemplo. A fórmula escrita divide pelo custo dos produtos vendidos, que seriam seiscentos. O exemplo divide pelo custo total, que é oitocentos. Com seiscentos no denominador, o mesmo mês daria cem por cento em vez de cinquenta. Nenhum dos dois está errado, são perguntas diferentes. O erro é trocar de denominador entre dois meses e chamar a diferença de resultado.
- A palavra receita faz o trabalho da palavra lucro. A página chama o valor de lucro com as vendas e usa, no exemplo, a venda bruta. Quem tem margem apertada e lê isso ao pé da letra acha que ganhou o que não ganhou.
Para quem gera contato em vez de vender na hora, a mesma página mostra o caminho: quando o negócio é de geração de contato, o custo dos produtos vendidos considera apenas o investimento em publicidade. Dez contatos que custaram vinte reais e geraram uma venda colocam cada contato a dois reais. Simples e suficiente para decidir se o canal se paga.
A correção que falta na conta da maioria: ROI sem margem é ROI de fachada. Refaça o exemplo com margem de quinze por cento, que é a vida de muito negócio de food service: mil e duzentos de venda deixam cento e oitenta de margem bruta, e o anúncio sozinho custou duzentos. O mês que parecia dar cinquenta por cento de retorno deu prejuízo. A mesma receita, a mesma campanha, a conta certa.
Se a dúvida é o valor a colocar no anúncio antes de ter esse histórico, a conta de partida está em quanto investir em anúncio, que trabalha com custo por resultado em vez de percentual chutado sobre faturamento.
CAC: quanto custa trazer um cliente novo
O custo de aquisição de cliente é a conta mais útil que existe e a mais maltratada. A fórmula é tudo o que se gastou para conquistar clientes novos num período, dividido pelo número de clientes novos daquele mesmo período. A dificuldade está em decidir o que entra no numerador.
Entra: o investimento em mídia, o valor pago a quem faz a comunicação, as ferramentas usadas para captar, as horas da equipe dedicadas a vender, o brinde ou cupom de primeira compra e a permuta, pelo valor que ela teria se fosse paga.
Não entra: o custo de atender quem já é cliente, o custo do produto, aluguel, equipe de operação. Isso é custo de servir, não de conquistar. Misturar os dois faz o número perder a utilidade que ele tinha, que era comparar canais entre si.
Um exemplo com números redondos. Num mês, dois mil e quatrocentos reais em mídia, seiscentos reais de horas de quem atendeu os contatos e seis clientes novos fechados. O CAC foi de quinhentos reais. Esse número sozinho não diz nada. Ele diz muito quando encontra o ticket e a margem: se o cliente novo deixa trezentos reais de margem no primeiro mês, o canal se paga no segundo mês e a operação aguenta crescer. Se deixa oitenta, o canal se paga em sete meses, e aí a pergunta deixa de ser de marketing e passa a ser de caixa.
Três erros derrubam essa conta com frequência.
- Dividir pelo total de clientes do mês. Somando quem já era cliente, o CAC cai para um décimo e deixa qualquer canal parecer ótimo.
- Esquecer a hora da equipe. Mídia é o custo visível. Quem responde contato, agenda visita e manda orçamento está no custo de aquisição, e em muitos negócios custa mais do que a mídia.
- Calcular um CAC só para a casa. O número médio esconde o canal bom e o canal ruim. CAC por canal é o que permite tirar dinheiro de um lugar e colocar em outro, que é a única decisão que esse número serve para tomar.
Quem está do outro lado da mesa, avaliando o custo de contratar quem faz esse trabalho, encontra as faixas de mercado e o que explica a diferença entre elas em quanto custa uma agência de marketing.
LTV: quanto o cliente vale antes de ir embora
O valor do cliente ao longo da relação, conhecido pela sigla em inglês LTV, é a conta que impede de olhar só a primeira compra. A versão simples, que já resolve a decisão da maioria dos negócios, é ticket médio multiplicado pela frequência de compra no período multiplicado pelo tempo médio de relação.
Um restaurante com ticket de setenta reais, cliente que volta duas vezes por mês e relação média de catorze meses tem um valor por cliente de mil novecentos e sessenta reais. Com o CAC de quinhentos do exemplo anterior, cada real investido em conquistar volta quase quatro vezes, ao longo da relação. É um negócio que pode e deve investir mais em aquisição.
Troque um número e a conclusão vira do avesso. Se a relação média é de três meses em vez de catorze, o valor por cliente cai para quatrocentos e vinte reais, abaixo do custo de conquistar. Nenhum ajuste de criativo salva essa operação. O que ela precisa é de recompra, e isso não se resolve com anúncio, se resolve com o que acontece depois da primeira compra.
Duas honestidades sobre essa métrica. A primeira: o mercado repete que o valor do cliente deve ser ao menos três vezes o custo de aquisição, e essa é uma regra de bolso de uso comum, não um número tirado de documentação de plataforma. Use como referência, não como prova. A segunda: a conta acima usa receita. Quem quiser a verdade usa margem, multiplicando o resultado pelo percentual que de fato sobra. O número fica menos bonito e passa a servir para decidir.
O dado que ninguém consegue copiar de você: frequência de compra e tempo médio de relação não existem em relatório de plataforma nenhuma. Eles saem do seu caixa, do seu cadastro e da sua pergunta no balcão. Por isso são as duas únicas métricas desta lista que nenhum concorrente tem como estimar sobre o seu negócio. Quem começa a registrar hoje tem, em um trimestre, uma informação que dinheiro não compra.
ROAS e ROI não são a mesma coisa
A confusão entre as duas siglas custa dinheiro todo mês, e vale separá-las com a documentação aberta. A ajuda do Google Ads explica que o ROAS desejado é o valor médio de conversão, por exemplo a receita, obtido para cada real gasto em publicidade, e escreve a conta assim: cinco reais em vendas divididos por um real de gasto, vezes cem por cento, dão quinhentos por cento de ROAS desejado.
Então a diferença é de escopo, e é inteira. ROAS olha receita sobre gasto com anúncio. ROI olha resultado sobre custo total. Um ROAS de quinhentos por cento parece excelente e pode conviver com prejuízo: se a margem do produto é de quinze por cento, aqueles cinco reais de venda deixam setenta e cinco centavos, e o real do anúncio comeu tudo. ROAS é um bom indicador de operação de mídia. Ele nunca foi, e não é, indicador de saúde de negócio.
Duas condições práticas que a mesma documentação registra, e que explicam por que a estratégia às vezes não liga. Primeiro, os valores: a ajuda do Google Ads sobre valores de conversão diz que atribuir valor às conversões é o que permite saber o valor total agregado, acompanhar o retorno pela coluna de valor de conversão sobre custo e identificar as conversões de maior valor. Sem valor configurado, a plataforma otimiza por quantidade, e quantidade de conversão barata não é o objetivo de ninguém. Vale valor dinâmico quando os preços variam, e valor único quando toda conversão vale o mesmo.
Segundo, o volume: para pesquisa e shopping, a página sobre ROAS desejado registra a necessidade de pelo menos quinze conversões nos últimos trinta dias no nível do rastreamento de conversões, e para aplicativos, dez por dia ou trezentas em trinta dias. Abaixo disso a estratégia não tem com que aprender. Quem liga ROAS desejado numa conta com três conversões por mês não está otimizando, está esperando sorte.
O que cada plataforma chama de quê
Metade das discussões sobre métrica é discussão de vocabulário. Dois relatórios mostram números diferentes para a mesma semana porque estão medindo coisas diferentes com o mesmo nome. Vale fixar as definições que estão escritas na documentação, e dizer com clareza quais não estão.
Usuário ativo, no Google Analytics 4. A ajuda define usuário ativo como qualquer um que tenha uma sessão engajada ou de quem a ferramenta colete determinados eventos, entre eles a primeira visita no site, o primeiro abrir do aplicativo e o tempo de engajamento. E define sessão engajada por três critérios alternativos: duração mínima de dez segundos, ao menos um evento principal, ou ao menos duas visualizações de página ou de tela. Qualquer um dos três basta. Quando a sessão não cumpre nenhum, ela conta como rejeição, porque a taxa de rejeição no GA4 é o inverso da taxa de engajamento.
Isso tem uma consequência prática que surpreende quem vem da versão anterior: uma pessoa que leu um artigo longo por quatro minutos e saiu sem clicar em nada não é rejeição. E uma pessoa que abriu, olhou oito segundos e fechou é. A métrica mudou de significado, e comparar rejeição de hoje com rejeição de três anos atrás não compara nada.
Evento principal, no Google Analytics 4. A documentação diz que um evento principal mede uma ação particularmente importante para o sucesso da empresa, e que qualquer evento coletado pode ser marcado como principal. Vale registrar o que a página não diz, porque a internet afirma muito: ela não diz que a palavra conversão foi substituída. Ela continua usando conversão para as conversões do Google Ads construídas a partir de eventos principais, e avisa que as conversões do Google Ads não aparecem nos relatórios padrão do Analytics. Daí vem a pergunta que chega toda semana: por que o número do Ads não bate com o do Analytics. Ele não deveria bater. São contagens diferentes, em sistemas diferentes, com janelas diferentes.
Alcance, impressão e frequência. Aqui é preciso ser honesto sobre a fonte. As páginas de ajuda do Meta que definem alcance e impressão exigem login e não foram lidas para escrever este artigo, então nada aqui é citação delas. O que se pode afirmar é a aritmética, que vale em qualquer plataforma: impressão conta exibição, alcance conta pessoa, e frequência é a impressão dividida pelo alcance. Uma consequência que economiza discussão: o alcance de uma campanha não é a soma do alcance dos conjuntos dela, porque a mesma pessoa aparece em mais de um. Somar alcance é o erro de planilha mais comum em relatório de mídia.
As métricas do presencial, que quase ninguém mede
Nenhuma métrica desta lista vê o que acontece no balcão, e é no balcão que muita venda acontece. Negócio de food service que mede apenas o digital está medindo a ponta mais fácil e ignorando a mais lucrativa, que é a recompra de quem já esteve na casa.
Quatro medidas do presencial custam quase nada e mudam decisão.
- Origem do contato, perguntada. Uma pergunta na hora do pedido, anotada num papel ao lado do caixa, resolve o que ferramenta nenhuma resolve. Quem não pergunta atribui por adivinhação.
- Cupom ou código por canal. Código diferente por canal transforma o presencial em dado. É a forma mais barata de atribuição que existe, e funciona sem nenhuma integração.
- Avaliações no perfil do Google. Quantidade e nota, medidas todo mês. É a métrica que mais influencia quem está decidindo onde comer agora, e a que mais gente deixa parada por meses.
- Taxa de recompra em trinta dias. De cada cem que compraram em um mês, quantos voltaram no mês seguinte. É a medida mais dura e mais verdadeira de qualidade.
Dois resultados da casa mostram o tamanho dessa diferença. Na Chiquinho Sorvetes, a comunicação integrada do balcão ao digital levou a um crescimento de mais de quinhentos por cento em venda direta, com uma comunidade de mais de trinta mil seguidores engajados. No Festival Fartura Brasil, a mesma lógica integrada juntou mais de cem mil pessoas no presencial e mais de um milhão de acessos no site, com recorde histórico de mídia espontânea. Em nenhum dos dois casos o número que importava estava num painel de rede social.
O painel de uma página
O relatório que se usa cabe numa tela. Oito linhas, cada uma com um número, de onde ele vem, com que frequência se olha e qual decisão ele muda. Se uma linha não tem decisão, ela sai.
| Número | Onde se mede | Quando se olha | Que decisão ele muda |
|---|---|---|---|
| Receita atribuída | Caixa, mais cupom e origem perguntada | Mensal | Continuar, aumentar ou parar o canal |
| Retorno sobre o investimento | Receita e custos, com margem | Mensal | O tamanho do investimento do mês seguinte |
| Custo de aquisição por canal | Mídia mais horas, por clientes novos | Mensal | De onde tirar e para onde levar o dinheiro |
| Valor do cliente na relação | Ticket, frequência e tempo de relação | Trimestral | Quanto se pode pagar para conquistar |
| Taxa de conversão por etapa | Analytics e registro de atendimento | Semanal | Onde está o gargalo a consertar |
| Ticket médio | Caixa | Mensal | Combo, sugestão de venda e preço |
| Taxa de recompra em trinta dias | Cadastro e caixa | Mensal | Investir em novo ou em quem já comprou |
| Avaliações e nota no Google | Perfil da empresa | Mensal | Pedido de avaliação e resposta pública |
Esse painel tem uma propriedade que relatório grande não tem: ele cabe numa conversa de quinze minutos. E relatório que não cabe numa conversa de quinze minutos não é lido, é arquivado. A mesma lógica de contar item por item, sem adjetivo, vale para o documento que abre a relação, e está detalhada em proposta comercial de agência de marketing.
Os sete erros que mais aparecem em relatório
- Medir sem linha de base. Sem o número de antes, todo número depois é apenas um número. A primeira medição de qualquer indicador não serve para comemorar, serve para marcar o ponto de partida.
- Comparar mês cheio com mês quebrado. Fevereiro tem menos dias, dezembro tem feriado e a campanha começou no dia doze. Comparar sem normalizar por dia útil inventa crescimento e inventa queda.
- Somar alcance. Já dito na seção das plataformas, e repetido aqui porque é o erro mais frequente de todos. Alcance de campanha não é soma de alcance de conjunto.
- Atribuir tudo ao último clique. O último clique costuma ser a busca pelo nome da marca, e ele recebe o crédito de todo o trabalho que fez a pessoa conhecer a marca. Dar crédito só ao último passo mata o investimento que criou o primeiro.
- Calcular retorno sem margem. A armadilha da seção do ROI, e a mais cara da lista.
- Trocar a métrica quando ela fica feia. O relatório que mudava de indicador conforme o mês era bom ou ruim é o relatório que mais destrói confiança. Indicador escolhido fica escolhido por ao menos um trimestre, inclusive no mês em que ele acusa.
- Relatório sem dono e sem data. Número que ninguém é responsável por mover não se move. É a forma mais silenciosa de desperdiçar dinheiro em medição.
A rotina que mantém o painel vivo
Painel bom morre de falta de rotina, não de falta de ferramenta. A rotina que sustenta tem três momentos, e nenhum deles leva muito tempo.
Toda semana, quinze minutos. Olhar apenas as taxas de conversão por etapa e o custo por resultado. É a janela em que ainda dá para corrigir criativo, verba e oferta dentro do mês. Mês nenhum se salva no dia trinta.
Até o dia cinco do mês seguinte, o fechamento. O painel inteiro, com reais atribuídos e a leitura do que mudou de verdade. Prazo escrito e cumprido, porque relatório atrasado chega depois da decisão que ele existia para orientar.
A cada trimestre, a revisão das métricas em si. Qual indicador não mudou nenhuma decisão em três meses, qual decisão foi tomada sem um número para apoiar, e o que entra ou sai do painel. O painel que nunca muda está medindo o negócio do ano passado.
Por onde começar amanhã, se hoje não se mede nada: três coisas, nessa ordem. Pergunte a origem a quem compra e anote. Registre quanto entrou no mês e quanto saiu em comunicação. Conte quantos clientes novos apareceram. Com essas três linhas você já tem receita atribuída, custo de aquisição e a base do retorno, e isso é mais do que a maioria dos negócios tem depois de anos de painel bonito.
Perguntas frequentes
O que são métricas de marketing digital?
São medidas do que aconteceu na comunicação: quantas pessoas viram, quantas clicaram, quantas compraram, quanto cada compra custou e quanto cada cliente deixou. A medida só vira métrica útil quando alguém sabe qual decisão ela muda. Número que não muda decisão nenhuma é enfeite de relatório, por mais exato que seja.
Quais são as principais métricas de marketing digital?
Seis sustentam qualquer negócio: receita atribuída à comunicação, taxa de conversão, ticket médio, custo de aquisição de cliente, valor do cliente ao longo da relação e retorno sobre o investimento. As outras existem para explicar essas seis quando alguma delas sai do lugar, e não para ocupar página de apresentação.
O que são métricas de vaidade?
São as que sobem sem que nada mude no caixa: seguidores, curtidas, alcance, impressões e visualizações soltas. Elas não são mentira, e algumas têm uso técnico dentro de uma campanha. O problema aparece quando entram no relatório como se fossem resultado, no lugar da conta que ninguém fez.
Como calcular o ROI de marketing?
A ajuda do Google Ads define o ROI como a relação entre lucro líquido e custos, e escreve a fórmula como receita menos o custo dos produtos vendidos, dividido pelo custo dos produtos vendidos. No exemplo da própria página, o denominador usado é o custo total, com o anúncio dentro. Escolha um dos dois denominadores, deixe escrito qual é e não troque de mês para mês.
O que é CAC e para que serve?
CAC é o custo de aquisição de cliente: tudo o que se gastou para conquistar clientes novos num período, dividido pelo número de clientes novos daquele período. Serve para responder se o canal se paga e em quanto tempo. Dividir pelo total de clientes, somando quem já era cliente antes, é o erro mais comum e sempre deixa o número bonito demais.
Qual a relação ideal entre LTV e CAC?
O mercado repete que o valor do cliente ao longo da relação deve valer ao menos três vezes o custo de conquistá-lo. É regra de bolso, não lei, e varia muito por tipo de negócio. O número que decide é o seu: se o cliente devolve o custo de aquisição no primeiro mês, a operação aguenta crescer; se demora mais de um ano, o caixa financia o crescimento, e caixa não financia esperança.
Qual a diferença entre KPI e métrica?
Métrica é qualquer medida que se possa coletar. KPI, ou indicador-chave, é a métrica eleita para guiar uma decisão, com meta e responsável. Todo KPI é métrica, quase nenhuma métrica é KPI. Relatório com quarenta métricas e nenhum KPI é exatamente o relatório que ninguém abre duas vezes.
Quais métricas acompanhar nas redes sociais?
Nas redes, três: quantas pessoas saíram do perfil para o canal de venda, quantas conversas começaram por ali e quantas viraram pedido. Alcance e engajamento entram como explicação dessas três, nunca como resultado. Se a rede não tem caminho até a venda, medir engajamento só documenta simpatia.
Fontes consultadas
- Google Ads, Sobre o retorno do investimento (ROI)
- Google Ads, Sobre os valores de conversão
- Google Ads, Sobre os lances de ROAS desejado
- Google Analytics, Usuário ativo no GA4
- Google Analytics, Eventos principais no GA4
Consultadas em 23 de outubro de 2026, lidas na íntegra nas centrais de ajuda do Google. As páginas de ajuda do Meta que definem alcance e impressão exigem login e não foram lidas: por isso este artigo não cita o texto delas e apresenta alcance, impressão e frequência apenas como a aritmética que vale em qualquer plataforma. A relação de três para um entre valor do cliente e custo de aquisição é regra de bolso de uso comum no mercado, não número de documentação.